Programa Formativo para Tradutores Literários – Casa Guilherme de Almeida

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Desde que conheci o programa pela primeira vez, em 2014, achei incrível e queria muito participar. Mas, como era presencial e eu morava no Rio de Janeiro, não podia realizar essa vontade. Em 2015, quando vim para São Paulo, corri para ver no site quando poderia fazer a inscrição para o próximo curso. No começo de 2016 estava inscrita, mas é preciso passar por um processo seletivo e enviar seu currículo, a ficha de inscrição preenchida e uma carta de intenção. Até chegar a resposta, estava muito ansiosa e quando finalmente recebi o email confirmando que tinha sido selecionada para participar, foi uma alegria que só! 😀

Deu um friozinho na barriga, pois lembro que o email começava dizendo que eles tinham recebido um número de inscrições muito acima do número de vagas, algo muito bom, pois demonstra o grande interesse nos estudos da área. Pensei: ai, caramba… não passei… com esse tanto de inscrições, viram que eu era iniciante, sem muita experiência e fiquei para trás. Continuei lendo o email e logo abaixo vinha a confirmação de que eu estava selecionada!

Logo no primeiro dia fui fazer a inscrição e foi quando conheci o anexo da Casa Guilherme de Almeida. Um lugarzinho bem acolhedor e com pessoas que nos tratam muito bem, prontas para nos dar quaisquer informações e ajuda. Nesse dia, quem me atendeu foi a Denise, muito atenciosa. Inscrição feita, mais um pouquinho de ansiedade: a aula inaugural do programa só seria cerca de um mês depois.

Mas, vamos falar agora um pouquinho sobre o programa: a ideia de criá-lo surgiu a partir de cursos anteriores oferecidos pela Casa e resolveram então fazer um programa continuado para contribuir com a formação de tradutores literários, ideia que deu bastante certo. Desde seu surgimento, em 2013, algumas mudanças foram feitas, considerando a avaliação dos alunos participantes.

O programa é composto da seguinte forma:

  • Curso de Teoria da Tradução, ministrado pela professora Maria Teresa Quirino;
  • Curso de História da Tradução, ministrado pelo professor Érico Nogueira;
  • Oficina de Tradução de Poesia, ministrada pelo professor Dirceu Villa;
  • Oficina de Tradução de Prosa (Inglês), ministrada pela professora Alzira Allegro;
  • Oficina de Tradução de Prosa (Espanhol), ministrada pelo professor Sérgio Molina.

Dessas, estou fazendo as quatro primeiras, já que não tenho ainda domínio do espanhol. Os professores são bastante qualificados e a turma é bem diversificada, tendo desde iniciantes sem experiência, como eu, até pessoas bem experientes na área, o que possibilita uma troca bastante rica durante os cursos e oficinas.

Quem quiser ter uma ideia melhor de como funciona o programa, pode acessar este link, que explica mais detalhadamente sobre cada um dos cursos e oficinas, os requisitos, os professores e o cronograma.

Vale muito a pena fazer! Recomendo para todos os interessados em tradução literária, que já trabalhem ou não na área. Estou adorando e aprendendo muito. Tenho certeza que os conhecimentos adquiridos contribuirão bastante para a prática profissional que venho procurando me qualificar para exercer.

O programa vai até novembro e então farei uma postagem traçando um panorama geral do que aprendi ao longo desses meses.

Ficaram interessados em participar? Então fiquem ligados para as inscrições do próximo ano. 😉

Enquanto isso, não deixem de conferir a programação da Casa Guilherme de Almeida, que sempre traz algo interessante para os tradutores.

Associada da ABRATES

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Finalmente! Já fazia um tempinho que eu queria me associar às entidades da categoria e no último Congresso da ABRATES, a Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes, fiz minha inscrição na categoria de estudante. Oficialmente associada agora! Foi legal saber que a ABRATES teve seu milésimo associado justamente no evento. 😀

Preenchi um formulário no evento, paguei a anuidade e essa semana recebi um e-mail para completar meu cadastro no site, com meus dados pessoais e profissionais. Você então recebe um login e senha para ter acesso ao seu perfil, a downloads exclusivos, como o selo de associado (adorei! já adicionei ao blog!), sua carteirinha e a inúmeros descontos. Depois disso, seu nome já aparecerá na Busca de Tradutores do site da ABRATES.

Confira todos os benefícios clicando aqui.

Além disso, a ABRATES sempre promove ótimos cursos e eventos, como os Congressos anuais. Tenho comparecido desde 2014 e posso dizer que são uma experiência incrível, como vocês podem ver pelas resenhas que estão publicadas aqui e em sites de outros colegas. A Caroline Alberoni, além de escrever sobre o evento, fez um compilado dessas publicações em seu site Carol’s Adventures in Translation. Vejam as partes 1, 2 e 3 para terem acesso a todos os links listados.

E tem ainda a grande novidade da Associação, que é o Programa de Mentoria, sobre o qual já falamos um pouquinho nessa postagem sobre a apresentação do Comitê de Mentoria no VII Congresso da ABRATES.

A ABRATES também inaugurou um canal no Youtube e em breve lançará sua revista.

Faça sua inscrição hoje mesmo clicando aqui.

Por fim, aproveito para agradecer a Liane Lazoski, por tudo o que fez pela categoria durante sua gestão e parabenizar o colega William Cassemiro, novo presidente da instituição. Conheci o William no primeiro evento que fui, o II Café com Tradução e ele sempre foi muito prestativo e atencioso com todos. Certamente será uma gestão de muito sucesso! 🙂

Se quiser mais informações, acesse o site da ABRATES ou entre em contato pelo e-mail secretaria@abrates.com.br ou pelo telefone +55 21 3577-3018.

Sessão SINTRA apresenta: Mesa-redonda sobre Tradução Literária e Direitos Autorais – Ernesta Ganzo, Daniele Petruccioli, Renata Pettengill, Lenita Esteves e Petê Rissatti – VII Congresso da ABRATES

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A mesa-redonda começou com a fala de Daniele, que contou um pouco de sua experiência com o sindicato que fundou para tradutores do meio editorial, o Sindicato Traduttori Editoriali (STradE). Ele explicou sobre a lei italiana de direitos autorais e apontou que O trabalho do tradutor é bem diferente dos outros trabalhadores, pois tem um sistema fiscal diferente, com vantagens e desvantagens. Ele lembrou que direito autoral não é prestação de serviço e nem venda de qualquer coisa. É algo que podemos somente ceder.

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Achei muito interessante quando ele destacou cinco pontos para um contrato de tradução justo, legal e transparente:

  1. Ter uma única referência legal: não vender, mas ceder e não todos os direitos, mas só os patrimoniais e por no máximo 20 anos.
  2. O contrato deve ser aprovado por ambas as partes e legítimo, portanto, suas condições estão sempre sujeitas a negociação.
  3. Uma modalidade compartilhada de revisão: o tradutor tem como compromisso entregar o texto traduzido da melhor maneira possível, elaborado com cuidado e coerência estilística. Mas ele também deve ter o direito de ver as alterações que foram feitas na sua tradução, assim como o editor deve ter o direito de intervir para que a qualidade do texto seja preservada. Ou seja, ambos respeitam o trabalho e a experiência do outro visando a melhoria do texto final. No entanto, Petê ressaltou, posteriormente, que isso não é algo que acontece no Brasil com frequência. São poucas editoras que passam a versão final para o tradutor antes de mandar para a gráfica. Para ele, o ideal é aproximar as partes do processo e, com isso, o resultado fica muito bom.
  4. É preciso ser um compromisso sério e recíproco. O contrato pode resguardar ambas as partes, prevendo sanções e recursos para resolver problemas de má conduta profissional.
  5. O tradutor precisa ser visível e reconhecido. Para tanto, seu nome deve estar na capa e/ou folha de rosto do livro, no catálogo da editora e em qualquer forma de divulgação da obra. Um tradutor visível é um tradutor forte.

Ernesta, tradutora e experiente advogada na área de direitos autorais, explicou que no Brasil é a Lei de Direitos Autorais que protege o autor. É como se fosse sua CLT. Ela ressaltou que a ideia em si não tem originalidade, mas a forma como ela é expressa sim, a criatividade com que a elaboramos. Isso que é protegido pela Lei de Direitos Autorais. Ernesta lembrou ainda que no Copyright não existe a figura de autoria e, portanto, o nome do autor não precisa nem mesmo aparecer na obra. No V Congresso da ABRATES, em 2014, Ernesta explicou um pouco mais sobre as diferenças entre direitos autorais e copyright e algumas outras questões sobre direitos autorais. Quem quiser ver, é só clicar aqui. 😉

Lenita, que além de tradutora é professora da USP e doutora em Linguística, contou algumas de suas experiências com editoras relacionadas a direitos autorais. Apesar de ir atrás de seus direitos, ela ressaltou que as editoras são muito fortes e, portanto, o tradutor não consegue ter muito êxito juridicamente. Por isso também precisamos nos fortalecer enquanto classe, para que tenhamos o mesmo peso na hora de negociar contratos e condições de trabalho.

As contribuições de Renata para o debate foram importantes, já que ela trouxe uma visão particular por ser editora executiva do Grupo Editorial Record. Ela contou que as editoras perdem muito tempo cotejando traduções, pois muitas pessoas acham que são tradutoras por terem morado fora e não é bem assim, pois a tradução envolve muito mais elementos do que a simples conversão de um texto de um idioma para outro. Assim, ressaltou a importância de a editora dar as devidas orientações para os tradutores.

Renata falou ainda sobre as dificuldades das editoras no cenário atual, pois precisam tentar reduzir o adiantamento de direitos autorais do autor, o que é muito difícil. A editora nunca conseguem recuperar esse valor, que é bastante alto, sendo que mesmo um best-seller, ao longo de um ano, vende cerca de 60 mil exemplares apenas. Com isso, as editoras pequenas tendem a quebrar e as grandes, por terem um catálogo maior, ganham no giro. Assim para garantirem uma margem de lucro mínima, o preço de capa acaba ficando muito alto e as pessoas não compram. É um panorama realmente complicado.

Petê finaliza ressaltando o que havia adiantado na apresentação do Ponte de Letras: o Brasil é um país que lê pouco e o que mais se lê é a Bíblia. Então, não há um horizonte bom para as editoras. A visibilidade do tradutor se faz participando ativamente e não apenas reclamando sem se propor a fazer algo. É importante que busquemos ampliar o diálogo dentro da nossa categoria e com as outras partes do processo de produção de uma obra. Precisamos nos valorizar e entender que temos um papel muito importante na sociedade. As editoras pagarão bem para tradutores bons.

Diante de todas essas considerações muito importantes para o meio da tradução literária, vimos que apesar de o tradutor trabalhar muitas vezes em casa, sozinho, ele faz parte de uma categoria e precisa se dar conta desse fato. O clichê justifica a importância dessa percepção: a união faz a força. Vamos fortalecer nossas entidades de classe para lutarmos em conjunto pelos nossos direitos. Precisamos também pensar no contexto atual, na questão do baixo índice de leitura da população, pois tudo isso faz parte de um ciclo que acaba rebatendo nas editoras, conforme vimos, e incidindo diretamente em nosso trabalho.

Viram só como é importante participar dos eventos da categoria? Discussões como essa são fundamentais. Além de aprendermos muito, conseguimos nos organizar, propor ações e, a partir daí, colocá-las em prática, visando melhorias para o conjunto profissional. Assim sendo, que venha o VIII Congresso! Em 2017 estaremos reunidos novamente em São Paulo! Vejo vocês lá! 😀

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João Vicente de Paulo Júnior: Mas quem foi que disse que tradutor tem que ganhar pouco? – VII Congresso da ABRATES

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João abordou um assunto que acredito ser de interesse geral. Afinal, quem leva a tradução a sério, como uma profissão (e não um “bico” ou um “passatempo”), quer saber como tirar o melhor proveito das possibilidades de ganhos com essa atividade. Se você é uma dessas pessoas, acompanhe a resenha da apresentação do João, que deu ótimas dicas para conseguirmos aumentar nossa renda na área.

Ele começou mostrando algumas estatísticas sobre a satisfação dos tradutores com relação à profissão e ao seu salário. Vimos que 70% da categoria está satisfeita com seu trabalho, apesar de não ganhar muito, considerando que apenas cerca de 2% da categoria ganha acima de 20 mil reais mensais.

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Mas o que podemos fazer então para aumentar nossos ganhos? A primeira resposta é: investir! Invista no seu processo de qualificação profissional. O retorno pode ser a longo prazo, mas os ganhos costumam ser proporcionais aos investimentos. Desde os primeiros eventos que compareci, ouço que o ideal é reservar pelo menos 10% de nossos ganhos para investir em qualificação profissional. Isso é mesmo muito importante e pode dar ótimos resultados.

Outra dica é acumular experiência, pois ela abre portas para chegarmos naqueles 2% de profissionais que ganham realmente bem. Não adianta querermos começar já ganhando um salário alto, pois os iniciantes ainda têm muitas coisas a aprender com a prática. Além do que, a experiência passa confiança no seu trabalho, recomendações de clientes e isso certamente trará mais benefícios financeiros para você.

Não dê um passo maior que a perna! Isso quer dizer: não ache que vai começar já abrindo uma empresa, sair traduzindo. Não é assim que o mercado funciona. Para não se frustrar, seja realista e avalie suas possibilidades com cautela. Por exemplo, se você já tem uma fonte de renda, não abra mão dela logo no início. Procure mantê-la até estar certo de que você consegue se manter só como tradutor.

Redija e traduza com excelência. João lembrou-se da palestra de Chris Durban no Congresso de 2014, em que ela disse que precisamos escrever melhor que 98% da população. Além do que, não adianta investir no conhecimento da língua estrangeira, se você não domina a sua própria.

João disse também que é importante nos especializarmos, pois um texto de uma área importante vai ser dado justamente para um especialista traduzir. Quando você conhece melhor o assunto, produz mais, traduz com mais segurança e, assim, pode ganhar mais. Porém não basta ser especialista e competente. É preciso que seus clientes e colegas reconheçam você dessa forma, pois sabemos que a tradução é uma profissão que depende muito do networking. Se você já tem uma área de especialização, vá a eventos dessa área, apresente-se, leve seu cartão, deixe as pessoas saberem que você oferece serviços de tradução, revisão, interpretação, enfim, seja visto!

E dentre tantas possíveis áreas, qual delas devo escolher? Segundo João, geralmente é a especialização que escolhe você. Isso porque você pode acabar trabalhando mais com determinado assunto, então escolhê-la seria a opção mais sensata. No entanto, se você trabalha com uma língua diferente do inglês, ela mesma já é sua “especialização”, já que foge à demanda mais comum do mercado.

É importante também selecionar seus clientes, pois o cliente ideal não compara seu preço com o do outro tradutor, percebe os riscos e custos de uma tradução de má qualidade e sabe que pagar o melhor tradutor é um investimento. Óbvio que todos querem pagar mais barato, mas há um limite. O bom cliente sabe valorizar o profissional que você é.

Use as ferramentas certas. Isso o ajudará a ganhar mais trabalhando menos, pois você otimizará sua atividade, economizando tempo com algo que um programa pode ajudá-lo a fazer, como é o caso das memórias de tradução. Com tantas opções de ferramentas no mercado, cabe a você escolher a mais adequada para você.

Uma dica recorrente dos colegas mais experientes é não pensar na fórmula de cobrança por palavra, mas sim por tempo, afinal é isso que vendemos. E então podemos calcular quanto ganhamos, quanto perdemos, enfim, se ficarmos presos à tarifa por palavra, não temos essa noção. Precisamos valorizar nosso tempo, pois um texto de 500 palavras pode ser mais trabalhoso de traduzir do que um de 1.000, já que tudo depende do grau de dificuldade do texto, de sua familiaridade com o tema, da qualidade do texto original, enfim, uma série de fatores que influenciam em quanto tempo conseguimos fazer uma tradução com qualidade.

Algumas ideias que João deu para melhorar nosso trabalho e nossas chances de ganho:

  • Use duas telas. Isso aumenta sua produtividade e muita gente da plateia concordou com o João. Você que nunca testou, vale a pena.
  • Aprenda a digitar rápido e a usar predictive typing . Essa não precisamos nem comentar, afinal, a velocidade de seu trabalho influi diretamente na quantidade de palavras que você consegue produzir por hora. Quanto mais produz, mais ganha. Simples.
  • Procure clientes que te paguem em moeda forte. Vale e pena investir em clientes estrangeiros. Não há motivos para ficar restrito ao mercado brasileiro – nosso mercado é o mundo inteiro!
  • Não descuide da sua saúde. Essa pode parecer meio óbvia, mas na correria do dia a dia, muitos tradutores acabam relegando sua saúde. Se estiver doente, você não conseguirá render tanto, então será um prejuízo de qualquer forma. Trabalhe, dedique-se ao máximo, mas saiba respeitar os limites do seu corpo.
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João Vicente mostra que vale a pena apostar em agências estrangeiras

Por fim, terminamos falando um pouco sobre o trabalho nas agências. Muitas pessoas pensam que não é possível ganhar muito trabalhando com agências, mas isso não é verdade. A questão é que existem agências boas e ruins, assim como clientes diretos. As agências estrangeiras têm a vantagem do câmbio, mas também não dá para generalizar. Portanto, cabe a você pesquisar aquela que valoriza o trabalho do tradutor. Segundo João, para os iniciantes é muito bom começar a trabalhar em uma agência, pois você tem seu texto revisado e aprende muito.

E aí? Convencido de que é possível aumentar seus rendimentos como tradutor? Então vamos colocar as preciosas dicas do João em prática e ver os resultados.

Ah, e só para constar… ainda estou esperando o sorteio do carro! rs 😀

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As duas telas do João Vicente em sua mesa de escritório organizada até demais! (Ele disse que foi só para a foto!) hahaha

Fabio Teixeira: Traduzir livros para crianças é coisa de gente grande – VII Congresso da ABRATES

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Fabio é tradutor de literatura infantil e deu dicas muito boas para quem quer seguir essa área. Se você pensa que histórias para crianças são fáceis de traduzir, leia a resenha e depois diga se continua com a mesma opinião. 😉

Vamos começar com algumas histórias bem conhecidas por todos. Vocês já pararam para pensar nos enredos que ouvimos e contamos há tantos e tantos anos? Virou algo praticamente “automático” reproduzir essas histórias e acabamos nem percebendo que algumas partes são um pouco pesadas e Fabio diz que, nesses casos, os editores preferem suavizá-las, dependendo da faixa etária. (Obrigada pela correção, Fabio! 🙂 ) Na história da Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, em vez de dizer que o Lobo a “comeu”, ele prefere usar a palavra “devorar”, pois sabemos a conotação que a primeira tem na língua portuguesa. Ou então, na história de João e Maria, em vez de fecharem a bruxa no forno, algo que hoje em dia causa mais choque, é melhor dizer dizer que eles botaram a bruxa para correr ou prenderam a bruxa na gaiola.

E vocês sabiam que existe a fábula da formiga e do besouro rola-bosta? Sim, é verdade! E esse bichinho existe mesmo! No entanto, podemos usar a fábula da formiga e da cigarra, mais conhecida por aqui e com um nome mais adequado para uma história infantil, concordam? 😀

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As onomatopeias também são um desafio para o tradutor. Apesar de haver algumas vozes de animais já consagradas, como a do cachorro, que faz au-au, o gato, que faz miau, o que fazer quando aparece uma coruja? Um rato? Um cavalo? Alguém tem alguma sugestão de como reproduzir o som desses animais num texto infantil? Tarefa difícil, não é? Às vezes, a saída é escrever, por exemplo, O cavalo relinchou, mas acaba não tendo o mesmo efeito.

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Outra questão que o tradutor deve ter muito cuidado é com relação às rimas. Certamente que os prazos de entrega são bastante curtos nos dias de hoje, mas vale a pena dedicar-se a um texto para construi-lo com rimas ricas e evitar as rimas pobres. Mas o que determina se uma rima é rica ou pobre? De acordo com Fabio, a rima é rica se as palavras forem de categorias gramaticais diferentes e pobres se forem da mesma categoria. Vejamos alguns exemplos na foto abaixo:

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Assim, rimas com verbos no passado ou no infinitivo, rimas com -inho e com -mente são muito fáceis de fazer. O tradutor deve sempre prezar pelo texto. Não é porque se trata de literatura infantil que não vamos ter esse cuidado. Então pesquise uma rima boa, não vá na opção mais fácil ou óbvia.

Fabio passou um trecho de um texto com rimas para darmos sugestões de como traduzi-lo. Algumas boas ideias surgiram da plateia e ele apresentou duas suas e uma indicação de como não fazer:

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Os tradutores enfrentam certas dificuldades nessa área e é preciso cautela para lidar com algumas delas. A começar pelos direitos autorais: você precisa assinar um contrato de cessão desses direitos, então não ganha nada em cima das vendas da obra, apenas pela entrega do que escreveu. Os prazos são muito curtos, não dando tempo, muitas vezes, de trabalhar um pouco mais na obra e melhorar certos aspectos do texto. Os revisores podem fazer certas correções que acabam piorando seu texto, como tirar uma boa rima que você criou. E é preciso também prestar atenção a erros dos originais, como alguma imprecisão de dados, por exemplo.

Quanto ao léxico, Fabio recomenda que seja domesticado e que não sejam usadas formas verbais complexas. Isso não quer dizer que devemos simplificar o texto, mas sim mantê-lo simples, pois ele é voltado para crianças com cerca de cinco anos de idade, em processo de aprendizagem. Precisamos considerar que a própria estrutura do inglês é mais simples que a do português, então basta manter esse aspecto do texto, deixando-o bem trabalhado gramaticalmente, porém fácil de ler.

Vimos que traduzir de livros infantis não é nada fácil. É uma atividade bastante complexa, principalmente por termos que considerar não só o aspecto linguístico, mas inúmeros outros fatores, como a adequação do vocabulário, a tradução dos nomes, a questão cultural, para saber o que soará mais natural para um público infantil brasileiro, enfim, há uma série de elementos que tornam o trabalho do tradutor uma verdadeira arte! Obrigada, Fabio, por compartilhar conosco um pouquinho desses desafios e curiosidades, ainda mais de forma tão divertida. 😀

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Mesa-redonda sobre Machine Translation – Kirti Vashee – Ricardo Souza – Ronaldo Martins – Marcelo Fassina – VII Congresso da ABRATES

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Esse é um assunto bastante atual e muito importante de ser discutido. Com os avanços tecnológicos, é imprescindível que o tradutor esteja atualizado para saber utilizar as novas ferramentas, uma exigência das maiores empresas que contratam serviços de tradução. Isso porque há uma demanda por um aumento da produtividade, o que pode ser obtido através do uso de Machine Translation, já que ela economiza tempo do tradutor.

Com tantas técnicas novas sendo desenvolvidas, podemos nos questionar: quando é lançada uma ferramenta nova, qual é o momento para o tradutor aprender a utilizá-la? É importante considerar, no entanto, que não é porque essa ferramenta nova existe que vamos usá-la para tudo. Precisamos ver o tipo de texto adequado para ela.

Com relação ao trabalho nas agências, Marcelo falou com propriedade, por conta de suas experiências na Lionbridge, uma grande agência de tradução. Ele ressaltou a importância de escutar o que o tradutor tem a dizer, afinal, ele é parte fundamental do processo e seu feedback deve ser considerado na definição do uso de novas ferramentas.

Sabemos que a máquina não consegue traduzir tão bem quando as pessoas, porém, os programas de tradução atuais estão melhorando. Não adianta ignorarmos este fato. Precisamos aprender a lidar com ele e pensar que se a tecnologia parece fechar algumas portas, ela pode abrir muitas janelas.

Ronaldo, desenvolvedor de sistemas de tradução, distinguiu três tipos fundamentais de tecnologias, que nos permitem refletir melhor sobre sua aplicação no âmbito da tradução. A primeira delas são as tecnologias acelerativas que nos ajudam a fazer algo mais rapidamente. Seu papel não é substituir nossas ações, mas nos auxiliar, como é o caso da bicicleta, por exemplo. Temos, então, as tecnologias delegativas. Ao contrário da anterior, seu objetivo é mesmo substituir as pessoas, mas nada além disso. Não são, portanto, revolucionárias. Aqui podemos tirar como exemplo as máquinas de lavar roupas. Por fim, as tecnologias aumentativas fazem com que uma performance cognitiva seja ampliada, o que nos permite fazer coisas que antes não fazíamos. Tomemos o exemplo do microscópio. Estas tecnologias sim é que têm caráter revolucionário. E as tecnologias da área da tradução? Em qual desses tipos você acha que se encaixam?

Ricardo disse que muitos tradutores têm resistência à tecnologia. Ele comentou que quando surgiram as CAT Tools boa parte da categoria se desesperou. Hoje em dia, ele diz que acontece o mesmo com a tradução de máquina (prefere esse termo a tradução automática) e os tradutores acabam se afastando do desenvolvimento desses programas. O problema é que depois precisamos ficar “correndo atrás” para recuperar o tempo perdido, em que poderíamos estar aprendendo a utilizar essas ferramentas, demonstrando que não devemos virar as costas para a tecnologia. Se soubermos lidar com esses avanços tecnológicos, não os enxergando como uma ameaça, mas sim como possibilidades futuras, poderemos ser gerenciadores de processos de tradução.

Kirti Vashee lembrou que, apesar de tudo, a tradução humana é a força que impulsiona a tecnologia. A partir disso, podemos refletir sobre o panorama atual, em que, reiteramos, o desenvolvimento da ciência é bastante acelerado, resultando em inovações tecnológicas em todos os âmbitos da vida, inclusive na tradução. Os diversos programas que surgem daí são uma realidade que se impõe a todo momento para o tradutor e o mercado pede que ele saiba utilizá-las, pois, uma vez que otimizam seu trabalho, aumentam a produtividade e geram mais lucros. No final das contas, o cliente não quer saber como a tradução foi feita. Apenas quer ver um bom resultado.

Assim, o tradutor que não estiver familiarizado com esses programas pode perder ótimas oportunidades de trabalho e boas chances de descobrir a grande utilidade desses programas, podendo concentrar esforços em outros níveis da atividade de tradução.

Comitê de Mentoria: Adriana Sobota, Caroline Alberoni, Mônica Reis e William Cassemiro – VII Congresso da ABRATES

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Um pouco antes do Congresso, fiquei sabendo sobre o Programa de Mentoria e me interessei bastante. Assim, quando vi que teria uma mesa sobre o assunto, quis logo participar para conhecer um pouco melhor o funcionamento do programa.

Ele surgiu a partir das dúvidas recorrentes dos iniciantes e foi baseado em um programa da ATA (American Translators Association). É um trabalho totalmente voluntário e que precisa seguir algumas normas para que funcione conforme o esperado. Vejamos como proceder se você quiser fazer parte.

Para ser mentor ou mentorado é preciso ser associado da ABRATES e estar em dia com suas obrigações. O mentor precisa ter no mínimo cinco anos de experiência e o mentorado, menos de dois ou estar cursando o último ano dos cursos de Tradução/Interpretação ou Letras.

Havendo interesse, é preciso enviar um email para mentoria.abrates@gmail.com. Atualmente, 20 pares estão finalizando o primeiro semestre deste programa. Em outubro ou novembro novas vagas devem estar disponíveis, mas podem mandar e-mail hoje mesmo, pois já há uma lista de espera.

A formação dos pares é feita em conjunto pela análise das fichas. Os coordenadores tentam encontrar uma compatibilidade entre a dupla para que se possa tirar o maior proveito possível do programa. Então, a ficha do mentorado é enviada para avaliação do mentor e, caso ele dê seu aval, os dois assinam um acordo e um coordenador será designado para acompanhar as atividades do par e garantir que tudo esteja correndo conforme o esperado.

A duração do programa é de seis meses e o mentor e o mentorado devem se reunir no mínimo duas horas por mês. O tempo de cada reunião será determinada pelo par, podendo variar de acordo com a disponibilidade de ambos. Essas reuniões podem ser feitas pessoalmente, por meio de aplicativos de mensagem, por programas de áudio/vídeo, por telefone, enfim, o importante é as horas sejam cumpridas e que um relatório sobre cada reunião seja enviado para o coordenador em até 72 horas após seu término. Há um programa básico a seguir, porém, podem ser feitos acréscimos dependendo do interesse do mentorado e disponibilidade do mentor para atendê-lo.

Se você quiser ser mentor, lembre-se de como foi seu início de carreira, para tentar antever as necessidades de seu mentorado e enxergar além dos questionamentos que ele faz, pois nem sempre ele saberá o que perguntar. Pense que você está contribuindo para melhorar o mercado da tradução e da interpretação, nivelando-o por cima. O importante é concorrer com pessoas competentes e não com quem joga o preço lá embaixo.

Para demonstrar como o programa vem funcionando, um par foi contar sua experiência: a mentorada Sabrina e seu mentor, Felipe. Ele confirmou que nem sempre o mentorado sabe expor sua dúvida e, por isso, o mentor precisa estar atento. Disse que está aprendendo muito com a Sabrina. Depois que iniciou o programa, ele revisou seu currículo, reorganizou-se, reciclou-se, enfim, a mentoria foi muito benéfica para ele também.

A Sabrina disse que também está aprendendo bastante com o programa e ressaltou que o Felipe a encoraja e sempre deixa uma tarefa para a próxima reunião, como preparar seu currículo ou fazer alguma leitura importante. Ela está gostando de participar e recomenda o Programa de Mentoria.

Fiquei ainda mais animada depois de ouvir o Comitê, o par que estava na mesa e os mentores da plateia, que pareceram muito dedicados à atividade. Quero logo participar, pois deve ser um processo de aprendizado incrível, uma oportunidade única que a ABRATES está proporcionando para nós. Essa interação é muito rica, pois permite que os iniciantes aprendam alguns aspectos do mercado da tradução e da interpretação com os mestres no assunto e que estes reflitam sobre sua atividade profissional, podendo encontrar formas de melhorá-la ainda mais.

Não vejo a hora de começar! E você? Já fez sua inscrição? 😀

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