MINHA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA EM UMA AGÊNCIA DE TRADUÇÃO

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Após um período longe do blog, voltei para contar sobre a primeira experiência que tive trabalhando em uma agência de tradução.

Conheci a Lionbridge (que, mais que uma agência de tradução, é uma empresa de globalização), quando ainda estava na faculdade e surgiu uma oportunidade de estágio, mas eu morava no Rio de Janeiro (saudades da Cidade Maravilhosa!!) e não tinha como assumir a vaga. Porém, quando me formei na faculdade de Tradução/Interpretação pela Uninove, já estava morando em São Paulo e procurei a Lionbridge novamente (este mês faz exatamente um ano). Para a minha sorte, eles estavam com um projeto muito interessante chamado “Incubadora“, que consistia em dar a oportunidade para um tradutor iniciante trabalhar na agência por seis meses e, então, caso tudo fosse conforme o planejado, poder trabalhar de casa (home office).

Esses sete meses que passei trabalhando na empresa foram fundamentais para meu início na carreira de tradutora. A experiência de todos os colegas com os quais convivi diariamente permitiu que eu pudesse aprender com profissionais de excelente qualidade um pouco mais sobre toda a dinâmica do processo de tradução e sobre tradução em si.

Digo isso, pois toda a equipe é muito comprometida com seu trabalho e todos estão sempre dispostos a ajudar. Deixo aqui meu agradecimento pela paciência e dedicação de todos. Posso dizer que essa experiência trabalhando dentro de uma grande agência de tradução foi fundamental para meu crescimento profissional.

Foi uma oportunidade incrível poder iniciar o trabalho na área numa agência tão renomada e importante no cenário mundial da tradução. Não poderia esperar algo melhor. Trabalhei com contas de empresas de muita expressão na área da Tecnologia e aprendi a utilizar as CAT Tools, o que gera um acúmulo incrível na área da tradução técnica.

Assim, pude tirar por mim mesma a conclusão que nós, iniciantes, sempre ficamos na dúvida: vale a pena trabalhar para uma agência de tradução? A resposta é “SIM“. Vale muito! Se for uma empresa compromissada com a qualidade dos serviços e que, portanto, apostará no seu desenvolvimento profissional, é uma experiência que entendo ser fundamental a todo iniciante da área, e que nos dá uma visão global de como funciona o mercado da tradução, quais profissionais estão envolvidos e qual a importância do nosso trabalho.

Obrigada a todos da Lionbrigde! Aos que ainda fazem parte da equipe e aos que já fizeram enquanto estive por lá:

Adailto, Ana Cláudia, Ana Paula, Ana Rodrigues, Bruna, Carolina, Christiane, Daniel, Denise, Fabiana, Faustro, Filipe, Gabriel, João, Jonathas, Jussara, Karen, Luiz, Magali, Marcelo, Mário, Miriam, Nilton, Paulo, Pedro, Priscila, Renan, Rodrigo, Sávio, Silvia, Tabitha, Tiago e Victor.

Muito sucesso a todos! 😉

PS.: Perdi as fotos que eu tinha, pois meu celular foi roubado, então precisei improvisar… rs

 

João Vicente de Paulo Júnior: Mas quem foi que disse que tradutor tem que ganhar pouco? – VII Congresso da ABRATES

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João abordou um assunto que acredito ser de interesse geral. Afinal, quem leva a tradução a sério, como uma profissão (e não um “bico” ou um “passatempo”), quer saber como tirar o melhor proveito das possibilidades de ganhos com essa atividade. Se você é uma dessas pessoas, acompanhe a resenha da apresentação do João, que deu ótimas dicas para conseguirmos aumentar nossa renda na área.

Ele começou mostrando algumas estatísticas sobre a satisfação dos tradutores com relação à profissão e ao seu salário. Vimos que 70% da categoria está satisfeita com seu trabalho, apesar de não ganhar muito, considerando que apenas cerca de 2% da categoria ganha acima de 20 mil reais mensais.

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Mas o que podemos fazer então para aumentar nossos ganhos? A primeira resposta é: investir! Invista no seu processo de qualificação profissional. O retorno pode ser a longo prazo, mas os ganhos costumam ser proporcionais aos investimentos. Desde os primeiros eventos que compareci, ouço que o ideal é reservar pelo menos 10% de nossos ganhos para investir em qualificação profissional. Isso é mesmo muito importante e pode dar ótimos resultados.

Outra dica é acumular experiência, pois ela abre portas para chegarmos naqueles 2% de profissionais que ganham realmente bem. Não adianta querermos começar já ganhando um salário alto, pois os iniciantes ainda têm muitas coisas a aprender com a prática. Além do que, a experiência passa confiança no seu trabalho, recomendações de clientes e isso certamente trará mais benefícios financeiros para você.

Não dê um passo maior que a perna! Isso quer dizer: não ache que vai começar já abrindo uma empresa, sair traduzindo. Não é assim que o mercado funciona. Para não se frustrar, seja realista e avalie suas possibilidades com cautela. Por exemplo, se você já tem uma fonte de renda, não abra mão dela logo no início. Procure mantê-la até estar certo de que você consegue se manter só como tradutor.

Redija e traduza com excelência. João lembrou-se da palestra de Chris Durban no Congresso de 2014, em que ela disse que precisamos escrever melhor que 98% da população. Além do que, não adianta investir no conhecimento da língua estrangeira, se você não domina a sua própria.

João disse também que é importante nos especializarmos, pois um texto de uma área importante vai ser dado justamente para um especialista traduzir. Quando você conhece melhor o assunto, produz mais, traduz com mais segurança e, assim, pode ganhar mais. Porém não basta ser especialista e competente. É preciso que seus clientes e colegas reconheçam você dessa forma, pois sabemos que a tradução é uma profissão que depende muito do networking. Se você já tem uma área de especialização, vá a eventos dessa área, apresente-se, leve seu cartão, deixe as pessoas saberem que você oferece serviços de tradução, revisão, interpretação, enfim, seja visto!

E dentre tantas possíveis áreas, qual delas devo escolher? Segundo João, geralmente é a especialização que escolhe você. Isso porque você pode acabar trabalhando mais com determinado assunto, então escolhê-la seria a opção mais sensata. No entanto, se você trabalha com uma língua diferente do inglês, ela mesma já é sua “especialização”, já que foge à demanda mais comum do mercado.

É importante também selecionar seus clientes, pois o cliente ideal não compara seu preço com o do outro tradutor, percebe os riscos e custos de uma tradução de má qualidade e sabe que pagar o melhor tradutor é um investimento. Óbvio que todos querem pagar mais barato, mas há um limite. O bom cliente sabe valorizar o profissional que você é.

Use as ferramentas certas. Isso o ajudará a ganhar mais trabalhando menos, pois você otimizará sua atividade, economizando tempo com algo que um programa pode ajudá-lo a fazer, como é o caso das memórias de tradução. Com tantas opções de ferramentas no mercado, cabe a você escolher a mais adequada para você.

Uma dica recorrente dos colegas mais experientes é não pensar na fórmula de cobrança por palavra, mas sim por tempo, afinal é isso que vendemos. E então podemos calcular quanto ganhamos, quanto perdemos, enfim, se ficarmos presos à tarifa por palavra, não temos essa noção. Precisamos valorizar nosso tempo, pois um texto de 500 palavras pode ser mais trabalhoso de traduzir do que um de 1.000, já que tudo depende do grau de dificuldade do texto, de sua familiaridade com o tema, da qualidade do texto original, enfim, uma série de fatores que influenciam em quanto tempo conseguimos fazer uma tradução com qualidade.

Algumas ideias que João deu para melhorar nosso trabalho e nossas chances de ganho:

  • Use duas telas. Isso aumenta sua produtividade e muita gente da plateia concordou com o João. Você que nunca testou, vale a pena.
  • Aprenda a digitar rápido e a usar predictive typing . Essa não precisamos nem comentar, afinal, a velocidade de seu trabalho influi diretamente na quantidade de palavras que você consegue produzir por hora. Quanto mais produz, mais ganha. Simples.
  • Procure clientes que te paguem em moeda forte. Vale e pena investir em clientes estrangeiros. Não há motivos para ficar restrito ao mercado brasileiro – nosso mercado é o mundo inteiro!
  • Não descuide da sua saúde. Essa pode parecer meio óbvia, mas na correria do dia a dia, muitos tradutores acabam relegando sua saúde. Se estiver doente, você não conseguirá render tanto, então será um prejuízo de qualquer forma. Trabalhe, dedique-se ao máximo, mas saiba respeitar os limites do seu corpo.
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João Vicente mostra que vale a pena apostar em agências estrangeiras

Por fim, terminamos falando um pouco sobre o trabalho nas agências. Muitas pessoas pensam que não é possível ganhar muito trabalhando com agências, mas isso não é verdade. A questão é que existem agências boas e ruins, assim como clientes diretos. As agências estrangeiras têm a vantagem do câmbio, mas também não dá para generalizar. Portanto, cabe a você pesquisar aquela que valoriza o trabalho do tradutor. Segundo João, para os iniciantes é muito bom começar a trabalhar em uma agência, pois você tem seu texto revisado e aprende muito.

E aí? Convencido de que é possível aumentar seus rendimentos como tradutor? Então vamos colocar as preciosas dicas do João em prática e ver os resultados.

Ah, e só para constar… ainda estou esperando o sorteio do carro! rs 😀

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As duas telas do João Vicente em sua mesa de escritório organizada até demais! (Ele disse que foi só para a foto!) hahaha

Mesa-redonda sobre Machine Translation – Kirti Vashee – Ricardo Souza – Ronaldo Martins – Marcelo Fassina – VII Congresso da ABRATES

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Esse é um assunto bastante atual e muito importante de ser discutido. Com os avanços tecnológicos, é imprescindível que o tradutor esteja atualizado para saber utilizar as novas ferramentas, uma exigência das maiores empresas que contratam serviços de tradução. Isso porque há uma demanda por um aumento da produtividade, o que pode ser obtido através do uso de Machine Translation, já que ela economiza tempo do tradutor.

Com tantas técnicas novas sendo desenvolvidas, podemos nos questionar: quando é lançada uma ferramenta nova, qual é o momento para o tradutor aprender a utilizá-la? É importante considerar, no entanto, que não é porque essa ferramenta nova existe que vamos usá-la para tudo. Precisamos ver o tipo de texto adequado para ela.

Com relação ao trabalho nas agências, Marcelo falou com propriedade, por conta de suas experiências na Lionbridge, uma grande agência de tradução. Ele ressaltou a importância de escutar o que o tradutor tem a dizer, afinal, ele é parte fundamental do processo e seu feedback deve ser considerado na definição do uso de novas ferramentas.

Sabemos que a máquina não consegue traduzir tão bem quando as pessoas, porém, os programas de tradução atuais estão melhorando. Não adianta ignorarmos este fato. Precisamos aprender a lidar com ele e pensar que se a tecnologia parece fechar algumas portas, ela pode abrir muitas janelas.

Ronaldo, desenvolvedor de sistemas de tradução, distinguiu três tipos fundamentais de tecnologias, que nos permitem refletir melhor sobre sua aplicação no âmbito da tradução. A primeira delas são as tecnologias acelerativas que nos ajudam a fazer algo mais rapidamente. Seu papel não é substituir nossas ações, mas nos auxiliar, como é o caso da bicicleta, por exemplo. Temos, então, as tecnologias delegativas. Ao contrário da anterior, seu objetivo é mesmo substituir as pessoas, mas nada além disso. Não são, portanto, revolucionárias. Aqui podemos tirar como exemplo as máquinas de lavar roupas. Por fim, as tecnologias aumentativas fazem com que uma performance cognitiva seja ampliada, o que nos permite fazer coisas que antes não fazíamos. Tomemos o exemplo do microscópio. Estas tecnologias sim é que têm caráter revolucionário. E as tecnologias da área da tradução? Em qual desses tipos você acha que se encaixam?

Ricardo disse que muitos tradutores têm resistência à tecnologia. Ele comentou que quando surgiram as CAT Tools boa parte da categoria se desesperou. Hoje em dia, ele diz que acontece o mesmo com a tradução de máquina (prefere esse termo a tradução automática) e os tradutores acabam se afastando do desenvolvimento desses programas. O problema é que depois precisamos ficar “correndo atrás” para recuperar o tempo perdido, em que poderíamos estar aprendendo a utilizar essas ferramentas, demonstrando que não devemos virar as costas para a tecnologia. Se soubermos lidar com esses avanços tecnológicos, não os enxergando como uma ameaça, mas sim como possibilidades futuras, poderemos ser gerenciadores de processos de tradução.

Kirti Vashee lembrou que, apesar de tudo, a tradução humana é a força que impulsiona a tecnologia. A partir disso, podemos refletir sobre o panorama atual, em que, reiteramos, o desenvolvimento da ciência é bastante acelerado, resultando em inovações tecnológicas em todos os âmbitos da vida, inclusive na tradução. Os diversos programas que surgem daí são uma realidade que se impõe a todo momento para o tradutor e o mercado pede que ele saiba utilizá-las, pois, uma vez que otimizam seu trabalho, aumentam a produtividade e geram mais lucros. No final das contas, o cliente não quer saber como a tradução foi feita. Apenas quer ver um bom resultado.

Assim, o tradutor que não estiver familiarizado com esses programas pode perder ótimas oportunidades de trabalho e boas chances de descobrir a grande utilidade desses programas, podendo concentrar esforços em outros níveis da atividade de tradução.

Adriana de Araújo Sobota: Como começar a trabalhar com agências de tradução – VII Congresso da ABRATES

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A palestra da Adriana foi ótima para iniciantes, afinal, uma das formas mais comuns de começarmos a trabalhar com tradução é por meio das agências. Estávamos ansiosos pelas informações e a Adriana não decepcionou! Com seu jeito todo animado passou várias dicas boas para quem estava presente.

Começamos discutindo um tópico muito importante: a diferença entre clientes diretos e agências de tradução. Com clientes diretos, o tradutor até consegue ganhar um valor maior por palavra, mas precisa dedicar mais tempo à parte comercial, cuidar da formatação dos arquivos, lidar com clientes “difíceis” e educá-los sobre nosso processo de trabalho. Além disso, corremos um risco maior de não receber, portanto, é sempre bom exigir uma parte do pagamento antes de iniciar o trabalho.

Já com as agências, apesar de ganhar um valor menor por palavra, você recebe um pacote de CAT Tools, consegue ter um volume bom de trabalho e não precisa “correr atrás” de clientes, pois a agência fará isso por você. Lembre-se de que não é preciso trabalhar só para uma agência. Você pode (e deve) diversificar.

Uma consideração importante a ser feita é que, em uma agência, o tradutor é apenas parte de um processo, portanto precisará ser muito responsável com seu prazo de entrega, já que um atraso poderá comprometer o trabalho de todos os outros profissionais.

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Além disso, tradução não é o único serviço das agências. Vamos ver uma “listinha” de alguns tipos de trabalho que elas podem oferecer:

  • Tradução técnica;
  • Tradução juramentada;
  • Legendagem/dublagem/locução;
  • Tradução editorial (raramente);
  • Localização de softwares;
  • Revisão (proofreading);
  • Cotejo (review);
  • Copidesque;
  • LQA;
  • Verificação online;
  • Testes de softwares e aplicativos;
  • Transcrição de áudio e vídeo;
  • SEO;
  • Pesquisa comercial;
  • Pesquisa da área médica;
  • Interpretação.

E sobre a média de valores pagos por uma tradução técnica, vocês querem saber? Essa é uma curiosidade enorme de quem está começando, pois não é uma informação fácil de encontrar. Mas a Adriana não nos deixou na mão e passou os números para termos uma ideia de como está o mercado e sabermos se o preço que estão nos oferecendo (ou que nos oferecerão em breve! rs) está dentro do esperado. Vamos ver estes valores na foto abaixo:

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Resolvida a questão dos valores, precisamos saber sobre o faturamento. Ele pode ocorrer de três maneiras principais: na entrega do projeto, ao final de um período específico (uma semana, quinze dias, um mês) ou ao atingir um valor mínimo (o que geralmente ocorre para minimizar os gastos com taxas bancárias). O pagamento pode ser à vista, todo dia x de cada mês ou depois de um período após o faturamento. Para pagamentos do exterior há algumas opções, como PayPal (que cobra taxas muito altas), MoneyBrookers (que agora parece ter virado Skrill), transferências bancárias, enfim, é preciso analisar o que fica melhor para ambas as partes. Mas o importante mesmo é acertar os termos de pagamento antes de aceitar o trabalho. Você precisa saber como e quando vai receber para evitar possíveis desentendimentos e problemas futuros.

Mas como fazemos para saber a reputação de uma agência? Uma dica é ver se ela tem endereço físico, domínio de email próprio, pois esses fatores indicam certa seriedade por parte da empresa. Além disso, você pode pesquisar em alguns sites, como Payment Practices, Blueboard (do ProZ) e Hall of Fame and Shame, (do TranslatorsCafé), lembrando que o acesso pode ser restrito a certos membros do site.

E onde podemos encontrar agências de tradução? Há alguns sites específicos que podem ajudar, como ProZ, TranslatorsCafé, TranslatorsBase e Translation Directory. Procure também grupos de tradutores em redes sociais, vá aos eventos da área e invista em networking!

Algumas características são procuradas pelas agências na hora de contratar um tradutor, a começar pelo currículo que deve ter o tamanho adequado (bem conciso) e estar organizado. Além de se comunicar de forma rápida, correta e coerente, o tradutor deve ter uma postura profissional, refletida por meio de seu endereço e assinatura de email, das associações de que faz parte e também de seu comportamento online.

Tudo certo! Você conseguiu entrar para uma agência. Parabéns! Mas isso não basta. Para que o relacionamento seja duradouro, é preciso fortalecê-lo. Isso é feito mantendo a qualidade e a pontualidade do seu trabalho, seguindo as orientações fornecidas, tendo uma postura ética, mantendo a confidencialidade e estando atualizado com as novas tecnologias (o que inclui conhecer e trabalhar com as CAT Tools).

Algumas dicas finais da Adriana foram:

  • Varie as agências e aceite trabalhos pequenos;
  • Saiba que você mandará vários currículos, mas receberá poucas respostas – não desanime e não pressione a agência sobre o resultado do seu teste;
  • Informe a agência sobre seus períodos de indisponibilidade;
  • Não reclame de agências publicamente;
  • Saiba receber um feedback e aprenda com ele.

Depois desse monte de informações valiosas tenho certeza de que suas chances de trabalhar com uma agência aumentaram bastante, graças à querida Adriana. Então, mãos à obra! 🙂

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