João Vicente de Paulo Júnior: Mas quem foi que disse que tradutor tem que ganhar pouco? – VII Congresso da ABRATES

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João abordou um assunto que acredito ser de interesse geral. Afinal, quem leva a tradução a sério, como uma profissão (e não um “bico” ou um “passatempo”), quer saber como tirar o melhor proveito das possibilidades de ganhos com essa atividade. Se você é uma dessas pessoas, acompanhe a resenha da apresentação do João, que deu ótimas dicas para conseguirmos aumentar nossa renda na área.

Ele começou mostrando algumas estatísticas sobre a satisfação dos tradutores com relação à profissão e ao seu salário. Vimos que 70% da categoria está satisfeita com seu trabalho, apesar de não ganhar muito, considerando que apenas cerca de 2% da categoria ganha acima de 20 mil reais mensais.

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Mas o que podemos fazer então para aumentar nossos ganhos? A primeira resposta é: investir! Invista no seu processo de qualificação profissional. O retorno pode ser a longo prazo, mas os ganhos costumam ser proporcionais aos investimentos. Desde os primeiros eventos que compareci, ouço que o ideal é reservar pelo menos 10% de nossos ganhos para investir em qualificação profissional. Isso é mesmo muito importante e pode dar ótimos resultados.

Outra dica é acumular experiência, pois ela abre portas para chegarmos naqueles 2% de profissionais que ganham realmente bem. Não adianta querermos começar já ganhando um salário alto, pois os iniciantes ainda têm muitas coisas a aprender com a prática. Além do que, a experiência passa confiança no seu trabalho, recomendações de clientes e isso certamente trará mais benefícios financeiros para você.

Não dê um passo maior que a perna! Isso quer dizer: não ache que vai começar já abrindo uma empresa, sair traduzindo. Não é assim que o mercado funciona. Para não se frustrar, seja realista e avalie suas possibilidades com cautela. Por exemplo, se você já tem uma fonte de renda, não abra mão dela logo no início. Procure mantê-la até estar certo de que você consegue se manter só como tradutor.

Redija e traduza com excelência. João lembrou-se da palestra de Chris Durban no Congresso de 2014, em que ela disse que precisamos escrever melhor que 98% da população. Além do que, não adianta investir no conhecimento da língua estrangeira, se você não domina a sua própria.

João disse também que é importante nos especializarmos, pois um texto de uma área importante vai ser dado justamente para um especialista traduzir. Quando você conhece melhor o assunto, produz mais, traduz com mais segurança e, assim, pode ganhar mais. Porém não basta ser especialista e competente. É preciso que seus clientes e colegas reconheçam você dessa forma, pois sabemos que a tradução é uma profissão que depende muito do networking. Se você já tem uma área de especialização, vá a eventos dessa área, apresente-se, leve seu cartão, deixe as pessoas saberem que você oferece serviços de tradução, revisão, interpretação, enfim, seja visto!

E dentre tantas possíveis áreas, qual delas devo escolher? Segundo João, geralmente é a especialização que escolhe você. Isso porque você pode acabar trabalhando mais com determinado assunto, então escolhê-la seria a opção mais sensata. No entanto, se você trabalha com uma língua diferente do inglês, ela mesma já é sua “especialização”, já que foge à demanda mais comum do mercado.

É importante também selecionar seus clientes, pois o cliente ideal não compara seu preço com o do outro tradutor, percebe os riscos e custos de uma tradução de má qualidade e sabe que pagar o melhor tradutor é um investimento. Óbvio que todos querem pagar mais barato, mas há um limite. O bom cliente sabe valorizar o profissional que você é.

Use as ferramentas certas. Isso o ajudará a ganhar mais trabalhando menos, pois você otimizará sua atividade, economizando tempo com algo que um programa pode ajudá-lo a fazer, como é o caso das memórias de tradução. Com tantas opções de ferramentas no mercado, cabe a você escolher a mais adequada para você.

Uma dica recorrente dos colegas mais experientes é não pensar na fórmula de cobrança por palavra, mas sim por tempo, afinal é isso que vendemos. E então podemos calcular quanto ganhamos, quanto perdemos, enfim, se ficarmos presos à tarifa por palavra, não temos essa noção. Precisamos valorizar nosso tempo, pois um texto de 500 palavras pode ser mais trabalhoso de traduzir do que um de 1.000, já que tudo depende do grau de dificuldade do texto, de sua familiaridade com o tema, da qualidade do texto original, enfim, uma série de fatores que influenciam em quanto tempo conseguimos fazer uma tradução com qualidade.

Algumas ideias que João deu para melhorar nosso trabalho e nossas chances de ganho:

  • Use duas telas. Isso aumenta sua produtividade e muita gente da plateia concordou com o João. Você que nunca testou, vale a pena.
  • Aprenda a digitar rápido e a usar predictive typing . Essa não precisamos nem comentar, afinal, a velocidade de seu trabalho influi diretamente na quantidade de palavras que você consegue produzir por hora. Quanto mais produz, mais ganha. Simples.
  • Procure clientes que te paguem em moeda forte. Vale e pena investir em clientes estrangeiros. Não há motivos para ficar restrito ao mercado brasileiro – nosso mercado é o mundo inteiro!
  • Não descuide da sua saúde. Essa pode parecer meio óbvia, mas na correria do dia a dia, muitos tradutores acabam relegando sua saúde. Se estiver doente, você não conseguirá render tanto, então será um prejuízo de qualquer forma. Trabalhe, dedique-se ao máximo, mas saiba respeitar os limites do seu corpo.
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João Vicente mostra que vale a pena apostar em agências estrangeiras

Por fim, terminamos falando um pouco sobre o trabalho nas agências. Muitas pessoas pensam que não é possível ganhar muito trabalhando com agências, mas isso não é verdade. A questão é que existem agências boas e ruins, assim como clientes diretos. As agências estrangeiras têm a vantagem do câmbio, mas também não dá para generalizar. Portanto, cabe a você pesquisar aquela que valoriza o trabalho do tradutor. Segundo João, para os iniciantes é muito bom começar a trabalhar em uma agência, pois você tem seu texto revisado e aprende muito.

E aí? Convencido de que é possível aumentar seus rendimentos como tradutor? Então vamos colocar as preciosas dicas do João em prática e ver os resultados.

Ah, e só para constar… ainda estou esperando o sorteio do carro! rs 😀

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As duas telas do João Vicente em sua mesa de escritório organizada até demais! (Ele disse que foi só para a foto!) hahaha

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3 comentários sobre “João Vicente de Paulo Júnior: Mas quem foi que disse que tradutor tem que ganhar pouco? – VII Congresso da ABRATES

  1. Joao Vicente

    Juliana, adorei a resenha. Bom, o sorteio do carro era com o William. Você não falou com ele? Quanto à mesa, costumo mantê-la organizada e o fato de ter outra igual ao lado ajuda bastante. Mas nem sempre é assim. Em certas horas, “as coisas se espalham”.

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