Luiz Fernando Sant’Ana Alves: Diz a legenda… – VII Congresso da ABRATES

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Como nós rimos nessa palestra! O Luiz Fernando é engraçado demais e sua apresentação deixou a plateia bem animada. Adorei! 😀

Ele começou dizendo que a indústria cinematográfica cresce muito e, portanto, uma mensagem passada por este meio causará grande impacto, o que sinaliza uma grande responsabilidade do tradutor.

Depois contou um pouquinho da história da legenda, que surgiu na época do cinema mudo, quando ainda não era possível captar som e eram usadas cartelas filmadas. Após algum tempo, a tecnologia foi se desenvolvendo até surgir o cinema falado. O primeiro filme legendado da forma como conhecemos foi The Jazz Singer, de 1927. A dublagem já existia, mas preferiam a legendagem por ser mais barata, rápida e envolver menos pessoas. A primeira forma de legenda era queimada na película, depois veio a queima a laser e atualmente ela é feita no formato digital.

Sobre a anatomia da legenda, a marcação é feita da seguinte forma: a entrada ocorre um quarto de segundo depois do som, para o cérebro não ter muitos estímulos ao mesmo tempo, e a saída, dois segundos após o som. O intervalo é de um quarto de segundo entre blocos de legenda. É preciso respeitar os cortes de câmera para que a legenda seja melhor assimilada.

O posicionamento mais frequente da legenda, por ser mais cômodo para os olhos, é na parte inferior do vídeo e centralizada, mas se houver algo relevante nesse espaço, é possível colocá-la na parte de cima da tela. A duração da legenda depende de certos aspectos, como o público-alvo, a natureza do texto e o veículo de exibição, então ela pode variar de 1,5 segundos a 6 segundos (esse é o máximo, já que, depois desse tempo, o cérebro começa a reler o texto).

O número de caracteres adequado é entre 12 e 20 caracteres por segundo (CPS) e entre 30 a 40 por linha, dependendo do tamanho da tela. Isso porque nossos olhos têm uma limitação do quanto podemos ler confortavelmente. Vemos, assim, a importância de sabermos sintetizar o texto, pensando de forma econômica e enxuta. Um ótimo exemplo é o da frase: “How are you feeling today, guys?”, que podemos traduzir simplesmente para: “E aí?”. Podemos ver outro exemplo nas fotos abaixo:

segmentação (spotting), é outro aspecto importante, pois temos que decidir onde a linha será cortada para gerar outra linha ou outro bloco. Precisamos pensar também na formatação da legenda. Algumas sugestões: quando há duas pessoas falando ao mesmo tempo, cada fala é marcada por um hífen no início da frase. Já o itálico pode indicar diversas situações, como: música, sonhos, pensamentos, estrangeirismos, personagem fora do ambiente onde a câmera está (obrigada pela correção, Luiz Fernando!) e vozes de meios eletrônicos. Quando existem placas ou letreiros, a legenda deve estar em caixa alta. Enfim, como é um texto a ser lido, a legenda precisa seguir certas regras definidas previamente.

Luiz Fernando mostrou alguns tipos de legenda, como: do cinema, da TV a cabo, aberta, fechada (closed caption), legenda de festival e falou também sobre os diversos programas disponíveis para legendagem, que oferecem uma série de funcionalidades.

Achei muito legal a comparação que ele fez do trabalho de tradução para legendagem com o trabalho de um roadie, para demonstrar como no âmbito audiovisual a invisibilidade do tradutor é necessária, pois o original está ali para o público comparar, detectar erros e se houver algum, a pessoa acaba se distraindo. O ideal é que ela esqueça que a legenda está ali. Caso perceba, é porque tem algo errado. Com o roadie é a mesma coisa: só lembrarão dele se der algum problema.

Outra dica interessante é para tentarmos nos colocar na cabeça do personagem ao traduzirmos suas falas, pensando: “Se fosse brasileiro, como ele falaria?”. Devemos lembrar ainda que as pessoas não falam todas da mesma maneira e isso precisa refletir na escolha de palavras. Então, às vezes pode ser preciso que uma mesma palavra em inglês seja traduzida de forma diferente para cada personagem.

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Precisamos ter cuidado com situações em que o aspecto cultural não encontra uma correspondência direta. Assim, para que o texto não fique estranho para o público-alvo, precisaremos usar alguns artifícios, como: transposição (com ou sem explicação), adaptação, neutralização ou omissão. Pensando nisso, como vocês traduziriam a legenda abaixo?

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O Luiz Fernando precisou entender a história desses personagens e conversar com algumas pessoas para chegar a um resultado adequado. Ele escolheu usar “Bentinho e Capitu” no lugar de Milly and Egg.

Mais algumas informações úteis para a legendagem: se placas, avisos e músicas não tiverem conexão com a trama, não precisam ser traduzidos. Isso também vale para a repetição de nomes ou palavras dedutíveis e para um diálogo estrangeiro proposital. E, finalmente, uma dica fundamental: respeitar sempre os momentos de surpresa, suspense e humor das cenas, ou seja, não colocar diálogos cortados no mesmo bloco de legendas, seguir as pausas dramáticas e o timing das piadas.

O final da apresentação do Luiz Fernando foi memorável! Ele fez um vídeo com diversos títulos de filmes que seguem o mesmo padrão, lembrando que não é o tradutor que escolhe os títulos! Assim, veio uma série de coisas “muito loucas”, “do barulho”, “implacáveis” e por aí vai. Ficou muito engraçado! 😀

Obrigada, Luiz Fernando por essa palestra que foi tão informativa quanto divertida!

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