Intelecção de Textos em Língua Inglesa – Casa Guilherme de Almeida

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Outro curso que participei, oferecido pela Casa Guilherme de Almeida, foi o de Intelecção de Textos em Língua Inglesa, ministrado pela professora Rita Köster, que é mestre em Letras pela USP, especialista em literatura irlandesa e professora da Cultura Inglesa desde 1990.

Inicialmente, pensei que seria uma ótima chance de ampliar meu vocabulário em inglês, compreender a estruturação de textos em língua inglesa e, portanto, contribuir para minha formação como tradutora. Porém, o curso foi muito além das minhas expectativas, pois, a cada encontro, agregava não só os conhecimentos da língua, mas principalmente conhecimentos culturais, tão importantes para uma tradução bem feita, como sabemos.

Trabalhamos apenas com short stories, que eram analisadas minuciosamente, pois a professora sempre trazia uma pesquisa sobre a biografia do autor, o contexto histórico e as referências presentes nos textos. Isso tudo ajuda muito a compreender melhor o conto, a intenção do autor e fazer um paralelo com os dias atuais e nossa própria realidade.

Os contos com os quais trabalhamos foram:

  • Two Pints (Roddy Doyle);
  • 12-2-12 (Roddy Doyle);
  • Recuperation (Roddy Doyle);
  • A Pair of Silk Stockings (Kate Chopin);
  • The Way Up To Heaven (Roald Dahl);
  • A Day At The Seaside (Bill Bryson);
  • Clay (James Joyce);
  • Lappin and Lapinova (Virginia Woolf);
  • Men and Women (Claire Keegan);
  • Going Home (William Sayoran);
  • The Children Stay (Alice Muro);
  • The Masque of the Red Death (Edgar Allan Poe);
  • Just Good Friends (Jeffrey Archer). Ah, não deixem de ler. O final é surpreendente! 😉

Gostaria de agradecer não só a professora Rita, que conduziu nossos encontros muito bem, fez ótimas pesquisas para compartilhar conosco, como as colegas deste ciclo, que contribuíram bastante com as discussões.

Lembrando que este curso ocorre todo semestre e esta semana começa de novo. Os textos sempre mudam, então podemos participar quantas vezes quisermos. Esse semestre já começou um novo ciclo na última sexta-feira. Acredito que ainda é possível fazer inscrição. Recomendo! 🙂

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Parte da turma na última aula

Programa Formativo para Tradutores Literários – Casa Guilherme de Almeida

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Desde que conheci o programa pela primeira vez, em 2014, achei incrível e queria muito participar. Mas, como era presencial e eu morava no Rio de Janeiro, não podia realizar essa vontade. Em 2015, quando vim para São Paulo, corri para ver no site quando poderia fazer a inscrição para o próximo curso. No começo de 2016 estava inscrita, mas é preciso passar por um processo seletivo e enviar seu currículo, a ficha de inscrição preenchida e uma carta de intenção. Até chegar a resposta, estava muito ansiosa e quando finalmente recebi o email confirmando que tinha sido selecionada para participar, foi uma alegria que só! 😀

Deu um friozinho na barriga, pois lembro que o email começava dizendo que eles tinham recebido um número de inscrições muito acima do número de vagas, algo muito bom, pois demonstra o grande interesse nos estudos da área. Pensei: ai, caramba… não passei… com esse tanto de inscrições, viram que eu era iniciante, sem muita experiência e fiquei para trás. Continuei lendo o email e logo abaixo vinha a confirmação de que eu estava selecionada!

Logo no primeiro dia fui fazer a inscrição e foi quando conheci o anexo da Casa Guilherme de Almeida. Um lugarzinho bem acolhedor e com pessoas que nos tratam muito bem, prontas para nos dar quaisquer informações e ajuda. Nesse dia, quem me atendeu foi a Denise, muito atenciosa. Inscrição feita, mais um pouquinho de ansiedade: a aula inaugural do programa só seria cerca de um mês depois.

Mas, vamos falar agora um pouquinho sobre o programa: a ideia de criá-lo surgiu a partir de cursos anteriores oferecidos pela Casa e resolveram então fazer um programa continuado para contribuir com a formação de tradutores literários, ideia que deu bastante certo. Desde seu surgimento, em 2013, algumas mudanças foram feitas, considerando a avaliação dos alunos participantes.

O programa é composto da seguinte forma:

  • Curso de Teoria da Tradução, ministrado pela professora Maria Teresa Quirino;
  • Curso de História da Tradução, ministrado pelo professor Érico Nogueira;
  • Oficina de Tradução de Poesia, ministrada pelo professor Dirceu Villa;
  • Oficina de Tradução de Prosa (Inglês), ministrada pela professora Alzira Allegro;
  • Oficina de Tradução de Prosa (Espanhol), ministrada pelo professor Sérgio Molina.

Dessas, estou fazendo as quatro primeiras, já que não tenho ainda domínio do espanhol. Os professores são bastante qualificados e a turma é bem diversificada, tendo desde iniciantes sem experiência, como eu, até pessoas bem experientes na área, o que possibilita uma troca bastante rica durante os cursos e oficinas.

Quem quiser ter uma ideia melhor de como funciona o programa, pode acessar este link, que explica mais detalhadamente sobre cada um dos cursos e oficinas, os requisitos, os professores e o cronograma.

Vale muito a pena fazer! Recomendo para todos os interessados em tradução literária, que já trabalhem ou não na área. Estou adorando e aprendendo muito. Tenho certeza que os conhecimentos adquiridos contribuirão bastante para a prática profissional que venho procurando me qualificar para exercer.

O programa vai até novembro e então farei uma postagem traçando um panorama geral do que aprendi ao longo desses meses.

Ficaram interessados em participar? Então fiquem ligados para as inscrições do próximo ano. 😉

Enquanto isso, não deixem de conferir a programação da Casa Guilherme de Almeida, que sempre traz algo interessante para os tradutores.

Casa Guilherme de Almeida – Centro de Estudos de Tradução Literária

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Você já conhece a Casa Guilherme de Almeida?

Ela oferece uma infinidade de cursos interessantes voltados principalmente para a tradução literária, mas também sobre outros temas, como cinema, teatro, enfim, é só dar uma olhadinha na sua programação para perceber que vale muito a pena conhecer a Casa.

Ainda morava no Rio de Janeiro quando ouvi falar da Casa Guilherme de Almeida pela primeira vez, então fiquei muito frustrada por não poder participar de nada, mas assim que vim para São Paulo, a primeira coisa que fiz foi entrar no site para começar a me inscrever nos cursos.

Agora toda semana estou por lá, sempre participando de algo relacionado à tradução, o que está contribuindo muito com a minha formação na área.

De terça a domingo, das 10h às 18h, você pode também visitar o museu, que conta com um acervo muito rico em obras de arte, relíquias, além da ampla biblioteca, hemeroteca e arquivo fotográfico. O museu era a casa do próprio Guilherme de Almeida, famoso poeta, tradutor, escritor, ensaísta, dentre outros talentos.

Nas próximas postagens vou contar um pouquinho sobre cursos que participei lá no anexo da Casa Guilherme de Almeida.

Se você morar em São Paulo, ou estiver passando por aqui, não deixe de conhecer este lugar tão especial para os tradutores brasileiros. É possível fazer uma visita virtual para matar a curiosidade até que você possa ir à Casa pessoalmente.

Contato:

55 11 3673-1883 | 3803-8525 |casaguilhermedealmeida@gmail.com
Museu: R. Macapá, 187 – Perdizes | CEP 01251-080 | São Paulo
Anexo: R. Cardoso de Almeida, 1943 | CEP 01251-001 | São Paulo

 

Associada da ABRATES

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Finalmente! Já fazia um tempinho que eu queria me associar às entidades da categoria e no último Congresso da ABRATES, a Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes, fiz minha inscrição na categoria de estudante. Oficialmente associada agora! Foi legal saber que a ABRATES teve seu milésimo associado justamente no evento. 😀

Preenchi um formulário no evento, paguei a anuidade e essa semana recebi um e-mail para completar meu cadastro no site, com meus dados pessoais e profissionais. Você então recebe um login e senha para ter acesso ao seu perfil, a downloads exclusivos, como o selo de associado (adorei! já adicionei ao blog!), sua carteirinha e a inúmeros descontos. Depois disso, seu nome já aparecerá na Busca de Tradutores do site da ABRATES.

Confira todos os benefícios clicando aqui.

Além disso, a ABRATES sempre promove ótimos cursos e eventos, como os Congressos anuais. Tenho comparecido desde 2014 e posso dizer que são uma experiência incrível, como vocês podem ver pelas resenhas que estão publicadas aqui e em sites de outros colegas. A Caroline Alberoni, além de escrever sobre o evento, fez um compilado dessas publicações em seu site Carol’s Adventures in Translation. Vejam as partes 1, 2 e 3 para terem acesso a todos os links listados.

E tem ainda a grande novidade da Associação, que é o Programa de Mentoria, sobre o qual já falamos um pouquinho nessa postagem sobre a apresentação do Comitê de Mentoria no VII Congresso da ABRATES.

A ABRATES também inaugurou um canal no Youtube e em breve lançará sua revista.

Faça sua inscrição hoje mesmo clicando aqui.

Por fim, aproveito para agradecer a Liane Lazoski, por tudo o que fez pela categoria durante sua gestão e parabenizar o colega William Cassemiro, novo presidente da instituição. Conheci o William no primeiro evento que fui, o II Café com Tradução e ele sempre foi muito prestativo e atencioso com todos. Certamente será uma gestão de muito sucesso! 🙂

Se quiser mais informações, acesse o site da ABRATES ou entre em contato pelo e-mail secretaria@abrates.com.br ou pelo telefone +55 21 3577-3018.

Sessão SINTRA apresenta: Mesa-redonda sobre Tradução Literária e Direitos Autorais – Ernesta Ganzo, Daniele Petruccioli, Renata Pettengill, Lenita Esteves e Petê Rissatti – VII Congresso da ABRATES

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A mesa-redonda começou com a fala de Daniele, que contou um pouco de sua experiência com o sindicato que fundou para tradutores do meio editorial, o Sindicato Traduttori Editoriali (STradE). Ele explicou sobre a lei italiana de direitos autorais e apontou que O trabalho do tradutor é bem diferente dos outros trabalhadores, pois tem um sistema fiscal diferente, com vantagens e desvantagens. Ele lembrou que direito autoral não é prestação de serviço e nem venda de qualquer coisa. É algo que podemos somente ceder.

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Achei muito interessante quando ele destacou cinco pontos para um contrato de tradução justo, legal e transparente:

  1. Ter uma única referência legal: não vender, mas ceder e não todos os direitos, mas só os patrimoniais e por no máximo 20 anos.
  2. O contrato deve ser aprovado por ambas as partes e legítimo, portanto, suas condições estão sempre sujeitas a negociação.
  3. Uma modalidade compartilhada de revisão: o tradutor tem como compromisso entregar o texto traduzido da melhor maneira possível, elaborado com cuidado e coerência estilística. Mas ele também deve ter o direito de ver as alterações que foram feitas na sua tradução, assim como o editor deve ter o direito de intervir para que a qualidade do texto seja preservada. Ou seja, ambos respeitam o trabalho e a experiência do outro visando a melhoria do texto final. No entanto, Petê ressaltou, posteriormente, que isso não é algo que acontece no Brasil com frequência. São poucas editoras que passam a versão final para o tradutor antes de mandar para a gráfica. Para ele, o ideal é aproximar as partes do processo e, com isso, o resultado fica muito bom.
  4. É preciso ser um compromisso sério e recíproco. O contrato pode resguardar ambas as partes, prevendo sanções e recursos para resolver problemas de má conduta profissional.
  5. O tradutor precisa ser visível e reconhecido. Para tanto, seu nome deve estar na capa e/ou folha de rosto do livro, no catálogo da editora e em qualquer forma de divulgação da obra. Um tradutor visível é um tradutor forte.

Ernesta, tradutora e experiente advogada na área de direitos autorais, explicou que no Brasil é a Lei de Direitos Autorais que protege o autor. É como se fosse sua CLT. Ela ressaltou que a ideia em si não tem originalidade, mas a forma como ela é expressa sim, a criatividade com que a elaboramos. Isso que é protegido pela Lei de Direitos Autorais. Ernesta lembrou ainda que no Copyright não existe a figura de autoria e, portanto, o nome do autor não precisa nem mesmo aparecer na obra. No V Congresso da ABRATES, em 2014, Ernesta explicou um pouco mais sobre as diferenças entre direitos autorais e copyright e algumas outras questões sobre direitos autorais. Quem quiser ver, é só clicar aqui. 😉

Lenita, que além de tradutora é professora da USP e doutora em Linguística, contou algumas de suas experiências com editoras relacionadas a direitos autorais. Apesar de ir atrás de seus direitos, ela ressaltou que as editoras são muito fortes e, portanto, o tradutor não consegue ter muito êxito juridicamente. Por isso também precisamos nos fortalecer enquanto classe, para que tenhamos o mesmo peso na hora de negociar contratos e condições de trabalho.

As contribuições de Renata para o debate foram importantes, já que ela trouxe uma visão particular por ser editora executiva do Grupo Editorial Record. Ela contou que as editoras perdem muito tempo cotejando traduções, pois muitas pessoas acham que são tradutoras por terem morado fora e não é bem assim, pois a tradução envolve muito mais elementos do que a simples conversão de um texto de um idioma para outro. Assim, ressaltou a importância de a editora dar as devidas orientações para os tradutores.

Renata falou ainda sobre as dificuldades das editoras no cenário atual, pois precisam tentar reduzir o adiantamento de direitos autorais do autor, o que é muito difícil. A editora nunca conseguem recuperar esse valor, que é bastante alto, sendo que mesmo um best-seller, ao longo de um ano, vende cerca de 60 mil exemplares apenas. Com isso, as editoras pequenas tendem a quebrar e as grandes, por terem um catálogo maior, ganham no giro. Assim para garantirem uma margem de lucro mínima, o preço de capa acaba ficando muito alto e as pessoas não compram. É um panorama realmente complicado.

Petê finaliza ressaltando o que havia adiantado na apresentação do Ponte de Letras: o Brasil é um país que lê pouco e o que mais se lê é a Bíblia. Então, não há um horizonte bom para as editoras. A visibilidade do tradutor se faz participando ativamente e não apenas reclamando sem se propor a fazer algo. É importante que busquemos ampliar o diálogo dentro da nossa categoria e com as outras partes do processo de produção de uma obra. Precisamos nos valorizar e entender que temos um papel muito importante na sociedade. As editoras pagarão bem para tradutores bons.

Diante de todas essas considerações muito importantes para o meio da tradução literária, vimos que apesar de o tradutor trabalhar muitas vezes em casa, sozinho, ele faz parte de uma categoria e precisa se dar conta desse fato. O clichê justifica a importância dessa percepção: a união faz a força. Vamos fortalecer nossas entidades de classe para lutarmos em conjunto pelos nossos direitos. Precisamos também pensar no contexto atual, na questão do baixo índice de leitura da população, pois tudo isso faz parte de um ciclo que acaba rebatendo nas editoras, conforme vimos, e incidindo diretamente em nosso trabalho.

Viram só como é importante participar dos eventos da categoria? Discussões como essa são fundamentais. Além de aprendermos muito, conseguimos nos organizar, propor ações e, a partir daí, colocá-las em prática, visando melhorias para o conjunto profissional. Assim sendo, que venha o VIII Congresso! Em 2017 estaremos reunidos novamente em São Paulo! Vejo vocês lá! 😀

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Ricardo Souza: Tradumática – VII Congresso da ABRATES

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Pela programação, essa seria a palestra do colega Israel Alves, mas por questões pessoais ele não pode estar presente. Então Ricardo o substituiu à altura para falar desse tema que também domina, como pudemos perceber na mesa sobre Machine Translation do dia anterior.

Ricardo baseou sua apresentação em um interessante programa de pós-graduação em Tradumática, da Universitat Autònoma de Barcelona.

Se você ainda não descobriu o que essa palavra significa, explicamos: ela é derivada da chamada tradução automática (ou tradução por máquina, como o Ricardo prefere dizer, conforme já indicamos em resenha anterior), mas, na verdade, trata da relação entre tradução e tecnologia de forma geral.

Esses recursos tecnológicos não tiram o trabalho do tradutor, como alguns podem pensar, até porque a área de tradução envolve muitas outras atividades que perpassam a atividade mais específica de traduzir textos, como podemos ver na lista abaixo:

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Já realizamos muitas dessas atividades, mas passaremos a fazê-las cada vez mais de forma macro, portanto, será imprescindível desenvolvermos as habilidades necessárias para atender a esse redimensionamento das demandas para o tradutor. Por esse motivo, não podemos desconsiderar o mundo acadêmico e o mundo empresarial, já que ambos nos qualificam para isso. A academia nos respalda para atividades como a do responsável linguístico, pois é preciso um conhecimento que perpassa o meramente intuitivo e as empresas nos auxiliam para sermos gestores de projetos e sabermos lidar também com a parte comercial.

Ricardo falou ainda sobre a diferença entre tradução automática e memória de tradução. Enquanto a tradução automática recorre ao que já existe de traduções feitas e com base nisso faz uma sugestão de tradução (lembre-se: as ferramentas de tradução automática não traduzem e sim sugerem uma tradução), a memória de tradução é um repositório de traduções que você já fez. Hoje em dia, é importante ressaltar que essas duas ferramentas funcionam juntas em muitos programas, o que pode produzir rendimento e resultado muito bons.

No entanto, é preciso cautela na hora de usar esses recursos e sempre levar em conta a ética. Ricardo ressaltou que não podemos dividir a memória de tradução e nem usar ferramentas online para tradução automática de textos dos nossos clientes, o que muitas vezes já vem especificado em contrato. É uma forma de resguardar as informações do cliente.

Por fim, vimos mais algumas funções que se ampliam no contexto atual. São saídas profissionais que respondem a essa reconfiguração do mercado profissional, delineadas a partir do desenvolvimento cada vez mais acelerado das tecnologias de auxílio à tradução.

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Espero que tenham gostado do tema. É uma discussão que precisa ser ampliada na nossa categoria, já que, como vimos na mesa sobre Machine Translation, é uma realidade para a qual não adianta fecharmos os olhos. Devemos aprender a lidar com ela da melhor forma, tirando o máximo de proveito possível, pois é uma exigência crescente do nosso mercado de trabalho e se não formos qualificados para utilizar essas tecnologias, acabaremos perdendo ótimas oportunidades.

João Vicente de Paulo Júnior: Mas quem foi que disse que tradutor tem que ganhar pouco? – VII Congresso da ABRATES

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João abordou um assunto que acredito ser de interesse geral. Afinal, quem leva a tradução a sério, como uma profissão (e não um “bico” ou um “passatempo”), quer saber como tirar o melhor proveito das possibilidades de ganhos com essa atividade. Se você é uma dessas pessoas, acompanhe a resenha da apresentação do João, que deu ótimas dicas para conseguirmos aumentar nossa renda na área.

Ele começou mostrando algumas estatísticas sobre a satisfação dos tradutores com relação à profissão e ao seu salário. Vimos que 70% da categoria está satisfeita com seu trabalho, apesar de não ganhar muito, considerando que apenas cerca de 2% da categoria ganha acima de 20 mil reais mensais.

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Mas o que podemos fazer então para aumentar nossos ganhos? A primeira resposta é: investir! Invista no seu processo de qualificação profissional. O retorno pode ser a longo prazo, mas os ganhos costumam ser proporcionais aos investimentos. Desde os primeiros eventos que compareci, ouço que o ideal é reservar pelo menos 10% de nossos ganhos para investir em qualificação profissional. Isso é mesmo muito importante e pode dar ótimos resultados.

Outra dica é acumular experiência, pois ela abre portas para chegarmos naqueles 2% de profissionais que ganham realmente bem. Não adianta querermos começar já ganhando um salário alto, pois os iniciantes ainda têm muitas coisas a aprender com a prática. Além do que, a experiência passa confiança no seu trabalho, recomendações de clientes e isso certamente trará mais benefícios financeiros para você.

Não dê um passo maior que a perna! Isso quer dizer: não ache que vai começar já abrindo uma empresa, sair traduzindo. Não é assim que o mercado funciona. Para não se frustrar, seja realista e avalie suas possibilidades com cautela. Por exemplo, se você já tem uma fonte de renda, não abra mão dela logo no início. Procure mantê-la até estar certo de que você consegue se manter só como tradutor.

Redija e traduza com excelência. João lembrou-se da palestra de Chris Durban no Congresso de 2014, em que ela disse que precisamos escrever melhor que 98% da população. Além do que, não adianta investir no conhecimento da língua estrangeira, se você não domina a sua própria.

João disse também que é importante nos especializarmos, pois um texto de uma área importante vai ser dado justamente para um especialista traduzir. Quando você conhece melhor o assunto, produz mais, traduz com mais segurança e, assim, pode ganhar mais. Porém não basta ser especialista e competente. É preciso que seus clientes e colegas reconheçam você dessa forma, pois sabemos que a tradução é uma profissão que depende muito do networking. Se você já tem uma área de especialização, vá a eventos dessa área, apresente-se, leve seu cartão, deixe as pessoas saberem que você oferece serviços de tradução, revisão, interpretação, enfim, seja visto!

E dentre tantas possíveis áreas, qual delas devo escolher? Segundo João, geralmente é a especialização que escolhe você. Isso porque você pode acabar trabalhando mais com determinado assunto, então escolhê-la seria a opção mais sensata. No entanto, se você trabalha com uma língua diferente do inglês, ela mesma já é sua “especialização”, já que foge à demanda mais comum do mercado.

É importante também selecionar seus clientes, pois o cliente ideal não compara seu preço com o do outro tradutor, percebe os riscos e custos de uma tradução de má qualidade e sabe que pagar o melhor tradutor é um investimento. Óbvio que todos querem pagar mais barato, mas há um limite. O bom cliente sabe valorizar o profissional que você é.

Use as ferramentas certas. Isso o ajudará a ganhar mais trabalhando menos, pois você otimizará sua atividade, economizando tempo com algo que um programa pode ajudá-lo a fazer, como é o caso das memórias de tradução. Com tantas opções de ferramentas no mercado, cabe a você escolher a mais adequada para você.

Uma dica recorrente dos colegas mais experientes é não pensar na fórmula de cobrança por palavra, mas sim por tempo, afinal é isso que vendemos. E então podemos calcular quanto ganhamos, quanto perdemos, enfim, se ficarmos presos à tarifa por palavra, não temos essa noção. Precisamos valorizar nosso tempo, pois um texto de 500 palavras pode ser mais trabalhoso de traduzir do que um de 1.000, já que tudo depende do grau de dificuldade do texto, de sua familiaridade com o tema, da qualidade do texto original, enfim, uma série de fatores que influenciam em quanto tempo conseguimos fazer uma tradução com qualidade.

Algumas ideias que João deu para melhorar nosso trabalho e nossas chances de ganho:

  • Use duas telas. Isso aumenta sua produtividade e muita gente da plateia concordou com o João. Você que nunca testou, vale a pena.
  • Aprenda a digitar rápido e a usar predictive typing . Essa não precisamos nem comentar, afinal, a velocidade de seu trabalho influi diretamente na quantidade de palavras que você consegue produzir por hora. Quanto mais produz, mais ganha. Simples.
  • Procure clientes que te paguem em moeda forte. Vale e pena investir em clientes estrangeiros. Não há motivos para ficar restrito ao mercado brasileiro – nosso mercado é o mundo inteiro!
  • Não descuide da sua saúde. Essa pode parecer meio óbvia, mas na correria do dia a dia, muitos tradutores acabam relegando sua saúde. Se estiver doente, você não conseguirá render tanto, então será um prejuízo de qualquer forma. Trabalhe, dedique-se ao máximo, mas saiba respeitar os limites do seu corpo.
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João Vicente mostra que vale a pena apostar em agências estrangeiras

Por fim, terminamos falando um pouco sobre o trabalho nas agências. Muitas pessoas pensam que não é possível ganhar muito trabalhando com agências, mas isso não é verdade. A questão é que existem agências boas e ruins, assim como clientes diretos. As agências estrangeiras têm a vantagem do câmbio, mas também não dá para generalizar. Portanto, cabe a você pesquisar aquela que valoriza o trabalho do tradutor. Segundo João, para os iniciantes é muito bom começar a trabalhar em uma agência, pois você tem seu texto revisado e aprende muito.

E aí? Convencido de que é possível aumentar seus rendimentos como tradutor? Então vamos colocar as preciosas dicas do João em prática e ver os resultados.

Ah, e só para constar… ainda estou esperando o sorteio do carro! rs 😀

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As duas telas do João Vicente em sua mesa de escritório organizada até demais! (Ele disse que foi só para a foto!) hahaha